Worried businessman going through paperwork after losing his job in the office.
Existe um tipo de risco que não aparece no balanço, não gera alerta no sistema financeiro e, na maioria das vezes, só é descoberto quando já virou um problema judicial: o passivo trabalhista oculto.
Ele é chamado de “oculto” porque, diferente de uma dívida bancária ou de um boleto vencido, ele não tem data, nem valor definido e nem aviso prévio. Ele se acumula silenciosamente, dia após dia, dentro da rotina da empresa, e só se manifesta quando um ex-funcionário entra com uma ação trabalhista.
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O passivo trabalhista oculto é o conjunto de obrigações que a empresa tem, ou pode vir a ter, com seus funcionários e ex-funcionários, mas que ainda não foram cobradas formalmente.
Ele nasce de práticas do dia a dia que parecem normais, mas que, sob a luz da CLT, representam direito do trabalhador não pago. Exemplos comuns:
Cada um desses pontos, isoladamente, pode parecer pequeno. No entanto, multiplicado pelo número de funcionários e pelo tempo de empresa, o valor pode chegar a cifras que comprometem o caixa.
Este é o cenário que mais assusta os empresários, e com razão. Quando a empresa trata todos os funcionários da mesma forma, aplica as mesmas regras, paga os mesmos adicionais e adota os mesmos procedimentos para toda a equipe, uma irregularidade que parece isolada raramente é isolada de verdade.
O que acontece na prática é o seguinte: um ex-funcionário entra com uma ação trabalhista e, ao longo do processo, detalha as condições de trabalho, a jornada real, os pagamentos recebidos e o que deixou de receber. O advogado da outra parte monta um cálculo detalhado com base em todo o período trabalhado.
Até aí, parece um problema individual. O perigo, porém, está no que vem a seguir.
Outros ex-funcionários acompanham o processo, ou simplesmente tomam conhecimento do resultado, e percebem que viveram a mesma situação. Em pouco tempo, a empresa que tinha “um processo” passa a ter cinco, dez ou mais ações simultâneas, todas com os mesmos argumentos e todas com chances reais de procedência.
Funcionários ainda ativos também ficam atentos. Quando percebem que colegas que saíram estão recebendo valores na Justiça referentes a direitos que eles também não receberam, a tendência é que aguardem o desligamento para entrar com a mesma ação.
O resultado é um efeito cascata: uma irregularidade que parecia pontual se revela sistêmica, e o passivo que era estimado em um valor passa a se multiplicar pelo número de pessoas afetadas, comprometendo seriamente o caixa da empresa.
A maioria dos empresários só descobre o tamanho do problema quando um ex-funcionário entra na Justiça do Trabalho e o advogado da outra parte calcula, com base em todo o período trabalhado, tudo o que deveria ter sido pago e não foi.
Nesse momento, o que era uma pequena irregularidade do dia a dia se transforma em uma condenação que considera meses ou anos de acúmulo, acrescida de juros, correção monetária e, em alguns casos, multas.
Vale destacar que o prazo para o trabalhador cobrar direitos trabalhistas é de até 2 anos após o fim do contrato, podendo alcançar os últimos 5 anos trabalhados. Isso significa que o passivo pode envolver anos de acúmulo, e o efeito cascata pode atingir todos os funcionários que trabalharam nesse período.
A forma correta de descobrir esse risco antes que ele se torne um processo é por meio de uma auditoria trabalhista preventiva. Esse processo consiste em revisar:
Ao final dessa revisão, a empresa recebe um diagnóstico claro: quais são os pontos de risco, qual o valor estimado de exposição e quais ajustes precisam ser feitos imediatamente. Além disso, a auditoria permite identificar se uma irregularidade é pontual ou sistêmica, justamente para evitar o efeito cascata antes que ele se instale.
Identificar o passivo não significa que a empresa vai ser processada. Pelo contrário, significa que ela ganhou a chance de corrigir a situação antes que isso aconteça. As ações mais comuns são:
Empresas que fazem essa revisão de forma preventiva reduzem significativamente o valor de futuras condenações e, em muitos casos, eliminam o risco antes que ele se torne um processo. Mais do que isso, interrompem o efeito cascata antes que ele comece.
O passivo trabalhista oculto é um dos maiores riscos financeiros que uma empresa pode carregar sem perceber. E o efeito cascata mostra que um único processo pode ser apenas a ponta do iceberg. A boa notícia é que esse risco pode ser identificado e corrigido, e quanto antes isso for feito, menor o custo para a empresa.
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